26 agosto, 2012

O dia da minha morte

Eu morri na madrugada do dia 26 de agosto. Era uma noite estranhamente fria para o clima nordestino e sombria para quem esperava viver eternamente. Eu morri, não de causas naturais, morri aos pouquinhos e dolorosamente, morri observando a vida que escorria de mim. Confesso que até agora está tudo anestesiado em meu corpo e mesmo morta às lágrimas escorrem quase que ininterruptamente dos meus olhos e a dor ainda pulsa em cada veia, em cada pensar. Arrancaram bruscamente o meu coração e as minhas esperanças, eu que estava disposta a viver o para sempre com alguém que não foi pra sempre, acho que ninguém é. Eu sei quem me matou, eu sei porque me entreguei do jeito mais louco e completo e o meu assassino foi tão essencial que só de lembrar, tenho o coração arrancado e pisoteado e chutado ... Eu morri e continuo morrendo a cada amanhecer e espero que com o passar dos dias morrer seja menos doloroso. Espero morrer e morrer e morrer  para que sabe um dia voltar a vida novamente.


09 outubro, 2011

Sobre mim...



As pessoas não sabem muito sobre mim. Sabem o que acreditam saber, acreditam saber que sabem... Bem, primeiramente sou alguém desconfiada, no meu canto. Falo demasiadamente as vezes, tenho medos que se não me sugam, me enfraquecem. Falo educadamente com todos ao meu redor, não rodeio quem não me acrescenta e nem faço cena com quem não tenho empatia. Sou estranha quase sempre. Sou desligada e disléxica. Erro nomes e datas, confundo rostos e muito constantemente erro letras de músicas... Sou intimista, seletiva e excessivamente apaixonada por quem me cativa. Mando mensagens bobas pelo celular ou pelas redes sociais. Gosto de seriados e filmes acompanhados de guloseimas e Coca-Cola. Faço rodeios ao contar as coisas, faço dengo quando quero (ou não quero) algo. Sou sarcástica em alguns momentos, me comunico com o olhar com quem gosto. Sou divertida, quando estou de bom humor, mas sou excessivamente chata ao acordar... Tenho todos os sentidos muito bem apurados graças a Deus. Sinto a energia das pessoas ao meu redor, pressinto fatos, tenho Déjà Vús constantes, tenho um lado espiritual independente de religião, gosto de música independentemente do estilo. Não sou 8 ou 80 mas também não sou meio termo. Sou completa pra quem preciso ser!

20 maio, 2011

Começo ...

Isabella Mensant

Pra ser sincera eu gosto mesmo é dos começos, não dos meios e muito menos dos fins. Eu gosto é do frio na barriga, do coração acelerado, do corpo suando frio e das pernas bambas. Eu gosto dos começos, das descobertas, da escolha das palavras, da emoção de um encontro, das expectativas do reencontro. Gosto da emoção dos começos, da falta de fome, da ansiedade pra ver de novo, dos sentimentos que só existem nos inícios, não nos meios e muito menos nos fins. Os começos nos acerelam a vida, dá brilho aos olhos e esperanças para viver os meios, os começos dão ânimo a rotina, sedosidade à pele e brilho aos cabelos. Coisas que só existem nos começos, não nos meios e muito menos no FIM.

31 março, 2011

Sabe meu bem...

Isabella Mendes

Sabe meu bem, continuo escrevendo coisas desalinhadas pensando naquele tempo nosso. Não olho mais as fotografias porque minhas lágrimas borraram o teu rosto no retrato. Não penso mais como seria nossa vida juntos pois sei que mesmo que continuassemos, não duraríamos. Sabe meu bem, somos tão diferentes que machuca. Olhando a gente naquela esquina desbotada da memória, vejo que era esta diferença que nos mantinha juntos mas, até mesmo o que mantém perto afasta sabe?! Ah! Meu bem, te guardo sempre pertinho da chuva que não vejo sempre, do cheiro de terra molhada que ela deixa antes mesmo de chegar... te guardo meu bem, sempre em mim, mesmo que machuque. Você me fez tão bem por um tempo, tempo tão bom... Sabe meu bem, os sentimentos já se foram há muito tempo mas, sou teimosa e masoquista que dói. As vezes lembro só pra fazer doer, só pra machucar mesmo. Sabe meu bem, te quero flor pra desabrochar e morrer e secar e eu guardar dentro de um livro velho. Te quero flor seca meu bem, pra quando abrir aquele livro, observar você sempre dentro de mim...

14 março, 2011

Volto

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foto da internet

Volto a te escrever no escuro, a luz foi-se embora há horas. Uso o resquício de claridão que existe em mim para colocar no papel meus sentimentos. Volto a te escrever depois da realidade embargar meus sonhos, depois de anos sem vontade e sem prazer... Volto a te escrever mas, sem afetos apenas vontades. Não sei como você vive, não sei se estuda, trabalha ou transa, não sei se casou, teve filhos ou simplesmente se cansou da boêmia. A única coisa que sei é que volto a te escrever para saber noticias, para matar a curiosidade de como é a sua vida sem mim. Volto a escrever porque há anos, guardo em mim sentimentos meus que são tão teus e que apenas escrevendo terei coragem para confidência-los. Volto a te escrever apenas para pedir a sua volta.

28 janeiro, 2011

Sobre o fim.

Chegou à hora de deixar velhos hábitos para trás, olhar pra frente e seguir. Esta não é uma história de um final triste é apenas mais uma história sobre o fim. Engana-se quem pensa que este fim foi doloroso e cinzento, apesar de que sempre haverá dor nos fins, mas neste não. O meio foi o pior momento, este sim foi doloroso e cheio de lágrimas, mas não no fim. O fim foi libertador, foi um imenso arco-íris no final de uma tórrida chuva de verão.  O fim aconteceu tão naturalmente depois de anos tentando costurar os meios, mas vidas que se quebram não podem mais ser coladas, perdem sabor e cor, perdem essência... As lágrimas que um dia molharam minha face e desidratavam minh’alma aparecem sempre que vejo um filme triste ou leio textos do Caio F. mas não caem mais quando me lembro de nós. Interessante né? Nosso tempo passou, as histórias ainda estão presentes na memória, mas com carinho. Carinho sim, vivemos momentos únicos. E mesmo que você negue, nem eu e nem você, seremos os mesmos, nem viveremos as mesmas histórias, nem encontraremos pessoas iguais a nós. E é isso o que fica depois do fim. Mesmo que tivéssemos continuado nosso caminho juntos, não seriamos os mesmos do começo ou do meio, as pessoas mudam mesmo que não se note. Não sei se mudei para melhor, desde quando nos vimos pela ultima vez, mas eu mudei e muito, você nem imagina. E não mudei apenas o corte do cabelo ou as roupas do meu vestuário, mudei o meu jeito de ver o mundo, de tratar as pessoas, sabe? Hoje não acredito em pessoas que não riem com os olhos, nem as que elogiam demais. Aprendi a observar o terreno antes de acampar, aprendi que rúcula faz bem pra saúde e que protetor solar protege a pele, aprendi que as pessoas nem sempre falam o que pensam, mas quase sempre falam sem pensar... hoje sei que tenho que controlar minha ansiedade, ir ao médico regularmente, ter calma e viver do meu jeito, aprendi que nem todo fim é doloroso e nem todo começo é pura felicidade. Mas a principal coisa que aprendi foi que os dias sempre passam e o nosso aprendizado é eterno. Ainda bem!

15 janeiro, 2011

sem olhar pra trás!

Imagem de Internet
Sempre me lembrarei de você – disse com a voz tremula, enquanto as lágrimas escorriam-lhe pela face aveludada. Não sabia como seria a vida depois dali, mas sabia que não poderia continuar com aquele relacionamento que a consumia desesperadamente. Olhando-o com a vista embargada de sofrimento, sabia que não teria coragem de vê-lo partir. Decidiu então, que era o momento de sair sem olhar para trás. Lera no livro de algum escritor desconhecido, que - nunca podemos perder o que nunca possuímos, lembrou-se da frase como um sinal. Consolava-se revirando o baú de memórias que insistia em guardar em si. Olhava o céu cinzento, chovera tanto naqueles últimos dias, que se ludibriou - Até São Pedro chora a minha dor. ;Olhando o céu, imaginou-se pássaro, voando livre pelo ar. Com um diminuto coração, que ama apenas o vento e as flores, que olha o mar de cima, que não sofre com separações.

Saiu da sala e não olhou pra trás, mas pra que olhar se podia sentir? Não precisava postar seus olhos, nem curvar seu rosto para saber que o que deixara pra trás era sua vida. Seu coração via muito mais que seus olhos e sofria muito mais ainda. Não sabia como seria o caminho a sua frente, tinha sonhos demasiados, esperanças demasiadas e agora um coração demasiadamente seu. Não seria fácil, sabia, mais haveria de conseguir. Seguir em frente depois de tudo era mais certo e bem menos doloroso do que ficar pra trás.

02 janeiro, 2011

Hiato

sentada na cadeira de rodinhas, rodava olhando o computador e as inúmeras teclas do velho teclado. Ameaçava começar, mas começar o que? não tinha ideias, as palavras escapavam da mente como pássaros que encontram a porta da gaiola aberta. Sempre tentou traduzir o que sentia. Escrevia os mais profundos segredos de sua mente e alma. Mas naquele momento, nem mesmo ela decifrava o que sentia. Ou não sentia nada a não ser o imenso vazio em sua cabeça perplexa.

...

Três pontos lhe asseguravam um começo. E um fim. mas o que botar entre o hiato que toma conta de mãos, boca, pele... tudo? melhor não botar nada. Suspira, desliga o computador e vai viver mais um hiato criativo insuportável.



P.s - Feliz 2011

05 dezembro, 2010

Esquizofrenia

Vivo esperando a sua volta. Olho pela janela a lua que você me deu, naquela noite de verão quando a gente se conheceu. Observo os transeuntes andando apresados sem perceber, olho o sol que você me prometeu quando fomos à praia naquele dia nublado. Não sei mais de você, nunca mais olhei para as gostas de chuva caindo. Quando chove, tranco toda a casa e me escondo em baixo da colcha de retalhos que você costurou sobre nós. Tento apreciar os detalhes nos outros olhares, mas sempre me perco lembrando o teu. Procuro distrações que tornem estes dias mais fáceis, mas é difícil pensar em não pensar em você... Confesso, a loucura tem me visitado diariamente, pra falar a verdade diariamente é pouco, ela veio morar comigo desde que nos perdemos. Ela não é exatamente uma companhia agradável, mas é a única que entende a minha necessidade vital de falar sobre você.  

Ontem enquanto relembrávamos os vinhos e flores daquele dia de inverno, senti na boca o gosto de tudo, como se estivesse ao seu lado naquela noite fria jogando conversa fora, rindo das minhas besteiras que você dizia gostar tanto. Doeu sabe? Porque quando olhei ao redor, até a loucura tinha me abandonado. Acho que mesmo ela enlouqueceu comigo.


30 outubro, 2010

Calor

Imagem de internet
- O suor escorre pelo corpo quente. A boca seca, implora por algum liquido que possa saciar-lhe a sede. Naquele momento as roupas molhadas pelo suor excessivo tornavam-se armaduras pesadas, debaixo de um sol de mais de 40 graus até mesmo a pele incomoda. A água do chuveiro que deveria refrescar-lhe um pouco parece se render a elevada temperatura, cai tão quente como se estivesse saíndo de uma chaleira.  Secar-se de nada adianta, em poucos minutos estará molhada de suor novamente. Dormir, comer, andar, sentar tudo se torna extremamente incomodo, até mesmo o enorme ventilador baforeia vento quente. 

A baixa umidade provoca-lhe sensações adversas. O calor que sente neste momento vem de dentro, vem do imenso desejo de saciar-se, de explorar-se, de sentir-se. Incomodada pelo fato de nada esfriar-lhe, joga-se no chão branco da varanda. Observando as crianças brincando na rua, o horizonte que parece desmanchar-se a sua frente, o céu azul sem nuvens. Deitada ali observa tudo em slow motion, a vida passa devagar queimando ao sol como tudo ao seu redor.